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Davi Mota Nogueira: O retrato da quebra dos limites e dos valores.

Opinião do Blog: É preciso rever o papel da família e da escola perante crianças e adolescentes.
Criou-se uma sensação de poder muito grande com quem não tem a personalidade formada plenamente e que ainda está sob formação. E há uma ausência da família em construir valores sólidos de respeito e afeto. 
Também há um grande embate em querer transferir para a escola a questão de educar filhos. 
A escola tem o dever de transmitir o conhecimento e ajudar com que cada aluno se torne um cidadão melhor. Mas a escola esta impedida de construir valores familiares com estes alunos. Porque valor moral familiar é uma questão que se modifica em cada família.
Há uma questão forte de amor e ódio dentro das escolas que é levada ao extremo pelos alunos, o que gera violência, intolerância e chega ao extremo de agressões físicas e até mesmo pessoas acreditando que tem poder de decidir sobre a continuidade ou não da vida de alguém.
O problema vem de casa e aumenta na escola. O que afeta diretamente o convívio social.
O que também não justifica a sensação de absoluto poder que alguns professores acreditam ter. 
Há falhas dos dois lados. Acredito que a família do garoto deve ter cercado esta criança de amor e disciplina, mas sempre ocorre problemas no percurso. Seja de amizades não muito boas, seja a criança que esconde dos pais os problemas que vivencia. Seja a escola que se omite quando há problemas de relacionamento entre alunos e professores... Enfim não é correto culpar ninguém, mas é preciso aprender com esta tragédia.
E também há uma sensação de inexistência de limites, tudo é permitido e nada é reprimido. Liberdade é diferente de libertinagem.
E estamos vivendo numa época de libertinagem. Onde tudo é permitido, nada é reprimido e a lei de nada serve. E os valores morais e sociais não valem nada. É a vida sem limites, sem responsabilidades e sem conseqüências para ninguém.
Tudo é em excesso. Excesso da sexualização infantil, com funks que incitam a pedofilia e a violência. Excesso de liberdade onde tudo é permitido a esmo. Excesso de omissão do Estado, que finje não estar a par de nada. Excesso de corrupção, que leva a sensação de que o crime compensa em todos os setores da sociedade. Excesso de exposição da violência em músicas, filmes, programas, jogos e mídia impressa. Excesso da desvalorização da vida e do ser humano. 
É preciso entender que se pode não gostar de determinadas pessoas, mas não é possível se cogitar tentar contra a vida de outras pessoas e principalmente contra a própria vida.
Davi Mota Nogueira poderia ser um jovem com um futuro brilhante, mas algo em seu caminho o desviou para o caminho do mal. E agora o dano causado não tem como ser reparado, uma vez que uma vida não tem preço e não pode ser substituida.
Resta para a família a dor da perda e a dor da ausência.
É preciso haver uma mudança profunda e transformadora para que se alcance a paz novamente, porque do jeito que andam as coisas; a tendência é piorar e de maneira muito rápida.
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Menino não gostava da professora, afirma polícia

Rosileide Queiros de Oliveira, 38 anos, era vista como 'linha dura' pelos alunos da escola. Ficha de Davi Mota Nogueira não tinha ocorrências e estudante era tido como exemplar pela direção

Filho de um guarda civil municipal, criado em uma família evangélica, aluno exemplar. Esse é o perfil de Davi Mota Nogueira, 10 anos, um menino tímido, que tinha  poucos amigos e dificilmente falava em sala de aula. Na tarde desta quinta, ele atirou contra a professora de português Rosileide Queiros de Oliveira e se matou. 

Antes de disparar, Davi fez um desenho semelhante à cena que aterrorizaria a todos que estavam na classe minutos depois ? um menino com duas armas, um professor e um balão com os dizeres "eu com 16 anos". A imagem foi apreendida pela polícia e será analisada.

O estudante Luan Pereira, 15 anos, disse que a timidez de Davi era motivo de gozação. Segundo o adolescente, o menino tinha dificuldade para se relacionar com os colegas e não gostava da professora, vista como repressora e exigente pelo restante dos alunos. A informação foi confirmada pelo delegado Francisco José Alves Cardoso, chefe da Delegacia Central de São Caetano. "Pelo que apurei, o menino não se dava bem com a Rosileide." O delegado disse que vai investigar se o garoto sofria bullying.

Bagunceiro/A professora também não gostava de Davi. É o que garante Luiz Eduardo, namorado há dez meses de Rosileide. "Não sei se era sobre esse aluno especificamente, mas ela falava de um menino que o pai era GCM de São Caetano e que tinha problemas psicológicos", disse. A educadora teria contado que ninguém tomava providências em relação ao aluno e, na opinião dela, o menino deveria estar em um colégio especial. Sua visão sobre o garoto contrasta com a descrição dada por Luan ? para Rosileide, Davi era hiperativo, batia nos colegas, maltratava as crianças e tinha brincadeiras que fugiam da normalidade.

Ainda segundo Luiz Eduardo a professora  comunicou o que acontecia à direção da escola, mas nada foi feito. "A coordenadora da escola sabia, mas tudo foi relatado verbalmente, não tem nada no papel", disse.

Funcionários da escola relataram à polícia que Davi era um aluno normal, aplicado e sem nenhuma queixa por parte de alunos ou professores.

Em abril,  massacre em escola do Rio  deixou 12 mortos
Em 7 de abril, Wellington Menezes, ex-aluno da Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, no Rio de Janeiro, entrou no local armado alegando ser um palestrante. Ele atirou nas crianças dentro das salas de aula e matou  12 alunos. Outros 13 adolescentes foram feridos. Todos tinham entre 12 e 14 anos. 

O massacre só não foi maior porque uma criança, mesmo ferida, conseguiu fugir e encontrou dois policiais no caminho. Eles entraram na escola e encontraram Wellington se preparando para subir o terceiro andar da escola, onde vários alunos estavam escondidos em outras salas e no anfiteatro.

O atirador, que já tinha disparado mais de 60 vezes, resistiu, foi alvejado na perna e caiu. Ao perceber que seria preso, atirou contra a cabeça e se matou.

Em uma carta e vídeos encontrados depois em sua casa, Wellington detalha a preparação do ataque. As investigações confirmaram que ele apresentava um comportamento estranho desde que a mãe adotiva morreu, em 2010. Filho de mãe com problemas mentais que tentou o suicídio, Wellington  foi adotado ainda criança. Tímido e retraído, segundo vizinhos, ele fazia poucas referências sobre a vida pessoal. Nos seus relatos se dizia vítima de discriminação quando criança na escola onde fez suas vítimas.

Em junho, a última vítima de Wellington, Thayane Tavares Machado, de 13 anos, saiu do hospital. Vários alunos que morreram deram nome a creches no Rio.

Opinião
Elizabeth Costa Pinto
Psicanalista

Realengo pode ter inspirado crime em escola
É padrão  que uma tragédia como a de Realengo se torne modelo para crimes semelhantes. É provável que Davi tenha se inspirado nesse caso antes de agir. O fato de uma criança levar uma arma à escola demonstra total falta de freio em sua formação. O que aconteceu tinha um planejamento e o suicídio é uma fuga da culpa.  É nítido que esse garoto tinha um problema que já havia sido revelado em casa, mesmo que por um clima, um olhar. A única prevenção é fazer com que os pais realmente olhem para seus filhos. 

Reprodução do Diário de SP

11 comentários:

Ronaldo disse...

...boa tatrde .. pra vcs...
acabei deler esse lindo texto onde se diz tudo... que vem acontecendo em nossa sociedade... se cada pais procura uma resposta para oque acontece nosso caso de Davi nogueira.... a resposta esta aqui...
me emocionei com as palavras verdadeira... que o blog postou..

Ronaldo - Cuiaba MT

Dryca Lys disse...

Obrigada por ler. Realmente as palavras sairam do fundo da minha alma.
Fico perplexa com estes acontecimentos. Volte sempre que quiser :)

Deborah disse...

Li a reportagem e concordo plenamente. É preciso q pais revejam a educação e a atenção q dão aos seus filhos. Pois td q foi dito sobre a familia e sobre o menino, não condiz c/ a atitude dele. O que me intriga e não está me deixando dormir é a questão de suicídio. Não que o fato de ter atirado na professora seja insignificante, mas se matar, isso é demais, ainda mais para um garoto de "10 anos". Tenho 2 filhos, e um dele tem 11 anos, fico me perguntando o q levaria uma garotinho no inicio da sua infância, na tragetória mais brilhante que teria ao longo dos anos, possa ter essa idéia e ainda mais, coragem de cumpri-la. Meu Deus, onde estamos?, o que faremos c/ essas crianças, esses jovens, totalmente inexperiêntes e com um grave e atordoado comportamento.
Fico me perguntando se faltou conversa, interesse, atenção p/ com essa criança, ou se, teve tudo isso mas faltou outra coisa?, mas o quê? E porquê? Essa é minha pergunta.

Obrigada pela atenção e pelo espaço.
Deborah - Santo André- São Paulo

Dryca Lys disse...

Obrigada por ler e obrigada por comentar.

A questão é bem complexa mesmo Deborah.
Alguma coisa no quebra cabeça deste caso não se encaixa. Porque o garoto viu que com disparo feito na professora ela se feriu, logo ele tinha noção de que era perigoso.
A questão do suicidio é uma questão dificil de responder, porque todas as informações estão desencontradas, alguns dizem que o garoto era bagunceiro e não gostava da professora, outros dizem que o garoto era exemplar.
Também não se sabe se ele sofreu alguma pressão que desencadeou no sentimento de tirar a vida.

Dica: Converse sempre com seu filhos e acompanhe tudo da vida deles. Porque uma desatenção, por minima que seja, pode causar um dano irreparavel. Construa laços de amor e amizade. Mas sempre imponha limites.

Espero ter ajudado.

Renata Adriana disse...

Esta é uma questão muito complicada... Ainda não conseguimos achar uma explicação. Mas de uma coisa vc pode ter certeza, não faltou nada para o Davi, a familia é maravilhosa e um exemplo para todos. Infelizes as palavras do namorado da professora que aliás se vc não viu, na sexta feira ele proprio desmentiu todos os comentarios pois a propria professora disse que ele era um aluno maravilhoso!!!! Tenho muita pena da familia que além de conviver com esta dor insuportável ainda tem que ouvir certos comentários maldosos....Se ele fosse uma aluno problemático não teria recebido tantas homenagens hoje no retorno da aula..que DEUS conforte a todos nós...

Renata Adriana Nogueira

Dryca Lys disse...

Renata, como eu disse na postagem e na resposta a Deborah, eu não sei o que aconteceu e tenho certeza que a família o cercou de amor e disciplina. Mas algo aconteceu que o levou a cometer este tipo de ato. E que algo não se encaixa.
A dor da perda e a ausência é terrível. Eu passei por esta dor e entendo a dimensão dela.
Também sei que a impresa esta fazendo um show em volta deste caso.
Mas o que fica é O que levou o menino a tomar esta atitude ?
E esta resposta, nós não teremos, porque o Davi levou consigo.
Mas espero que a família seja confortada, porque perder um ente querido nunca é fácil.

Sofia disse...

ELE TINHA PROBLEMAS SIM,SOU PROFESSORA E TRABALHO COM UMA OUTRA COLEGA QUE DÁ AULAS NESTA ESCOLA.DAVI TINHA PROBLEMAS,OS PAIS SABIAM E A PROFESSORA PEDIA SEMPRE PARA QUE ELE TOMASSE OS REMÉDIOS.NADA TEM DE REGISTRO NA ESCOLA,POIS ESTA,É ESCOLA MODELO,E ISSO NUNCA VAI SER DIVULGADO EM REDE NACIONAL.OS PAIS E,PROFESSORES E FUNCIONÁRIOS FORAM ORIENTADOS PARA OCULTAR ESTE FATO.AGORA VAI SOBRAR PRA PROFESSORA,COM CERTEZA...AFFFFF

Dryca Lys disse...

Sofia, como eu disse, não se pode culpar ninguém, mas é preciso aprender com a tragédia.
E a verdade precisa aparecer para prevenir outras tragédias.

Edmusic disse...

Primeiro respondendo a Sofia, que acredito, escreveu essas palavras pra jogar uma "lenha na fogueira". À Dryca, parabéns pelo blog e pelo texto. Sou primo do Davi, moro no interior de Minas, onde todo fim de ano ele passava as férias com sua mãe e o Gleison, seu irmão! À Sofia, só me restam risos de indiferença frente a tamanha bobagem. Davi não tomava nenhum tipo de medicamento, era, como já muito falado, um exemplo de pessoa, filho, aluno, colega...... Se vocês da mídia que não conheceram-no pessoalmente ficam se perguntando o porquê disso, o sentimento nosso, da família, é exponencial. Peço, por favor, que orem pela minha tia, mãe de Davi, Elenice o nome dela, pra que Deus, o único que pode consolá-la, lhe ajude nesse momento e que Deus nos dê o conforto que tanto buscamos. Davi foi um presente, Deus o levou para si. Fico à disposição para qualquer dúvida sobre esse caso. Perguntem, por favor, pra não acabarem escrevendo bobagens. Mais uma vez, parabéns Dryca. Boa noite! Saudades Davi :(

Dryca Lys disse...

EdMusic obrigada por ler. A dor da perda é incurável. Mas com o tempo fica menor.
Espero, do fundo do meu coração, que a família do Davi seja confortada.
Pois foi uma morte sem explicação, porque as respostas que se procura foram ao túmulo com o pequeno.
Deus conforte todos vocês.
Tenho lembrado desta família sempre, nas minhas orações. :)

Edmusic disse...

Eu que agradeço. Obrigado pela atenção e pelo respeito que demonstra sempre. São contadas muitas histórias e estórias sobre o acontecido, e no seu blog não vi nenhum julgamento, apenas pensamentos e seu apoio, sou grato por isso!

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