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DICA DA Dryca: Beijo no Asfalto, docemente indigesto. Perturbadoramente envolvente.

Domingo, um calor infernal em São Paulo, e uma missão especial.
Um amigo estreou uma curta temporada de sua peça em São Paulo.
Então eu resolvi ver a peça.
A coisa mais engraçada, sem pretensão nenhuma fui buscar o ingresso e quem eu encontro, coincidência do dia, na porta do teatro, meu amigo Braz.
Com um sorrisinho tímido ouvi a voz "Seja bem vinda". E eu disse só vim pegar o ingresso, virei no domingo...
E domingo lá estou eu... Teatro Augusta, esperando o espetáculo começar e literalmente xeretando o estande de livros...
Depois me peguei flertando as fotos no saguão, fotos de momentos em que o ator dá vida ao seu personagem.
E finalmente hora do espetáculo...
Beijo no Asfalto. Indigesto e cativante. Sombrio com nuances de doçura. Com algumas atuações que me deixaram impressionada... Aquele pai que não quer visitar a filha de maneira alguma e quando vai não vê a hora de ir embora. Que atuação incrivelmente perfeita, porque o ator deu, com perfeição magistral, a ambiguidade que o papel pediu. E conseguiu confundir o público... Escondendo um segredo... Que segredo...

Um jornalista sem escrúpulos que vendeu sua alma ao diabo para ter sucesso... Nelson contou com maestria a banda podre que existe dentro de todas as profissões e foi mais além, mostrando o poder manipulador e massacrante que a mídia exerce.

O preconceito velado em alguns pontos, a miséria humana escancarada... O amor que não resiste a falta de cuidado, marido banana é uma merda. Sim... Selminha, sua vozinha infantil que me incomodou, não escondeu a maravilhosa atriz que viveu uma das cenas mais chocantes e que é o pesadelo de toda mulher... Aquele momento meu coração parou e a volta da escuridão e ver aquela mulher destruída... Eu tenho que confessar, não choro com facilidade em peças e meu lado militante do Direito matou a sensibilidade em alguns casos, de tanto acesso a conjunto probatório criminal acabei por me tornar fria, e aquela Selminha, naquele momento arrancou me lágrimas grossas de dor e compaixão... 

A inveja, o desrespeito com a dor alheia. E a marca nítida de Nelson... Homem cafajeste não respeita mulher em momento algum.

Nelson intrigante. Nelson mistificado. Nelson, muitas vezes, erroneamente odiado. Olhando pelo prisma que todo escritor tem... Entendo com perfeição sua vontade de esfregar na cara da sociedade a hipocrisia que se esconde nos bons costumes. Mas para ser Nelson ele esfrega a verdade na cara de todos nós com uma serra elétrica... Sem palavras.


Elenco competente, com algumas atuações que beiram o brilhantismo. E vão além da expectativa... Demonstrando a completa entrega ao personagem.
Valeu a pena.

A direção competente, sensível e fiel ao que o autor queria dizer.
E em alguns pontos dá pra perceber com total exatidão onde o diretor colocou a sua essência.

Como um todo posso dizer este espetáculo me deu a sensação de um tango muito bem orquestrado.

Paixão, medo, raiva, incomodo, desconstrução de conceitos, reconstrução do pensamento... Tudo numa magistral e orquestrada sinfonia mágica que somente pode vir do tablado do teatro...

A temporada esta acabando pessoal... Se ficou com vontade de ver... Vá depressa, dia 27/09 é o último dia. 

Esta obra digna de sua atenção esta em cartaz no Teatro Augusta.



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